31/05/2005 19:10
O mês de maio é um mês interessante, não acham? Mês consagrado às noivas, mês em que se comemora também o dia das mães. Tudo isto nos remete a um só tema: o Amor.
Mas, o que é o Amor?
Como definir o amor?
Os gregos, já disse aqui antes, utilizavam pelo menos 3 palavras para se referir a ele: Ágape designava o amor que sentimos pelos amigos e pessoas queridas; Philia, o amor que destinamos às coisas e objetos; Eros o amor sensual, aquele que sentimos pelo sexo oposto (ou talvez seja melhor dizer, pelo nosso par amoroso), entre outros.
Os árabes têm cem palavras para detalhar todas as nuanças que o amor projeta. Mas será que elas conseguem descrever detalhadamente esta emoção singular? Ou o amor é um conjunto de emoções, e daí poder analisá-las uma a uma com profundidade, penetrando em seus labirintos? Seria possível encontrarmos o caminho de volta? Ou nos perderíamos para sempre em conjecturas?
Buscando definições do amor, não conheço ninguém que possa defini-lo com exatidão em relação a si próprio. Não creio que possamos mesmo saber qual é a essência deste sentimento, seu âmago, sua pureza inicial, seja em relação a nós mesmos seja observando o Outro. Quando tentamos defini-lo, temos que usar os frutos que produziu, os traços que deixou, as conseqüências que lhe são inerentes, pois o amor permanece em sua perfeita e inacessível potência.
A dúvida também encontro ao usar como exercício o próprio Tratado do Amor, de Ibn' Arabi, um dos mais completos senão o mais completo estudo sobre este sentimento, que em sua profundidade e beleza leva a rever situações, reanimá-las, analisando-as, usando a memória, mas também a criação imaginativa, em relação às vivências. E aí, mais uma vez através destes frutos que o amor produziu, chego a pensar que encontrei sua essência.
Tente definir o sentimento sem nenhum exemplo...
No entanto, a relação do ser humano com o amor é antiga. Os marcadores, os frutos arcanos deste sentimento, talvez estejam nas cavernas pré-históricas. Quando nos referimos aos nossos ancestrais, geralmente falamos apenas de sexualidade, mas as coroas de flores encontradas nas vizinhanças de muitos desses antigos túmulos são os frutos, a parte visível que nos leva a pensar num amor mais profundo, integrado. Uma forma mais completa de amor.
No fundo, o que guardamos e observamos em relação a este sentimento são mesmo os frutos, sejam eles símbolos, objetos, ações ou palavras.
Mas nos contentemos ao menos com eles, já que transportam os símbolos que o sentimento produziu.
Foi pensando nas representações do amor que cheguei à figura da Mãe.
A mulher que ama intensamente.
Adivinhem quem é o bonitão aí com a minha mãe???
Uma mãe não deve ser comparada a nenhuma outra pessoa ela é incomparável.
(provérbio AFRICANO)
Não existe ninguém como uma mãe. Nossas mães nos deram a vida, nos amam, cuidam de nós e querem o melhor para nós, não importa a nossa idade. Elas jamais deixam de ser mães. Não há forma de descrever, adequadamente, a dádiva que nos concederam.
E nenhuma experiência no mundo se compara a ser mãe. Estar grávida, sentir as dores do parto, passar pelo parto em si e, tanto no caso de mães adotivas quanto no de mães biológicas, ver o rosto de seu bebe pela primeira vez: esses eventos intensos são apenas o início de um papel de importância única nesta vida, aquilo que chamamos de maternidade.
Fiz questão de acompanhar o nascimento dos meus filhos dentro da sala de parto, estar junto com minha esposa e nossos rebentos, para lhes dar as boas vindas e, lhes garanto, não há no mundo experiência mais transformadora! Penso hoje, que seja o ponto máximo da celebração ao Amor.
Aliás, vejo aqui uma íntima relação: o ato da criação. A união de uma mulher e um homem baseada no Amor... Não será esta a nossa imagem e semelhança de Deus a que se refere a Bíblia?
Pensando bem... Se esta figura que nos dá a vida, nos dá sustento, nutre-nos de todas as nossas necessidades, principalmente com Amor, é feminina (A Natureza é Mãe... A Pátria, é Mãe...), por que não reconhecer que Deus é Mãe?
Quem precisa fazer malabarismos para realizar todas as tarefas necessárias para cuidar de uma família hoje em dia? Em qualquer momento pode-se contar com uma mãe para ser o arrimo de família, para ser a provedora, a motorista, a lavadora de louças, a empregada, a secretária particular, a confidente e muito mais.
Às vezes, exige-se que uma mãe desempenhe todas essas funções ao mesmo tempo! Está muito claro que foram as mães que inventaram o conceito de multitarefa (realizar tarefas múltiplas de maneira extremamente bem feita), e não o Bill Gates.
Enquanto buscava em meus alfarrábios alguma história que pudesse usar aqui para homenagear as mães, encontrei uma passagem que retrata com perfeição a essência desse tema:
Num dia calmo, luminoso, doce e ensolarado, um anjo fugiu do céu, desceu a este velho mundo e percorreu campos e florestas, cidades e povoados. Tão logo o sol se pôs, ele abriu as asas e disse:
Aqui termina a minha visita. Tenho de retornar ao mundo da luz. Mas, antes de ir, preciso recolher algumas lembranças de minha visita.
Ele olhou para um lindo jardim e disse:
Que lindas estas flores.
Colheu as mais raras rosas, fez um buquê e declarou:
Não vejo nada de mais bonito ou perfumado do que estas flores. Vou levá-las comigo.
Mas, olhando um pouco adiante, viu um bebe de olhos brilhantes e faces rosadas sorrindo para a mãe.
Oh, o sorriso daquele bebe é mais lindo do que este buquê. Vou levá-lo também.
Ele então olhou além do berço e viu o amor da mãe fluindo como o jorro de um rio em direção ao bebe.
Então, ele disse:
Oh, o amor dessa mãe é a coisa mais bela que vi na Terra.
Vou levá-lo também.
E, com esses três tesouros, alçou vôo até os portões do Paraíso, deteve-se do lado de fora e disse:
Antes de entrar, acho que darei uma olhada nas lembranças que trouxe.
Olhou para as flores, mas haviam murchado. Olhou para o sorriso do bebe, mas ele estava desbotado. Olhou para o amor da mãe e lá estava ele, em toda a sua rara beleza.
Atirou para um lado as flores murchas e o sorriso desfeito, atravessou os portões, congregou toda a multidão que habita o Paraíso e pronunciou:
Eis aqui a única coisa que encontrei na Terra capaz de guardar a sua beleza durante todo o percurso até o céu: o amor de uma mãe.
Aqui a mãe dos meus filhos amamentando o mais velho, o Alexandre
Como Deus não pode estar em todos os lugares, Ele criou as mães.
Provérbio judaico
Como agradecer adequadamente às nossas mães pelo imenso dom da vida e pelo amor incondicional que delas recebemos? Como homenagear nossas esposas, filhas, parentes e amigas que são mães pelo fantástico papel que desempenham?
Para começar, podemos nos lembrar de expressar todo o amor e gratidão que sentimos por elas. Não só no dia marcado no calendário, mas todos os dias das nossas vidas.
Li, como disse, algumas dezenas de histórias sobre as Mães, onde muitos falaram dos sacrifícios feitos por suas mães; outros, do quanto elas foram corajosas; muitos compartilharam a inspiração e o estímulo recebidos de suas mães. Porém, em todas elas, não houve tema mais amplamente expressado do que a natureza eterna do AMOR DE MÃE.
Finalizando, gostaria de deixar aqui registrada minha conclusão: "Há muitas coisas nestas histórias que eu gostaria de ter feito como filho. Ainda há coisas que posso fazer. Umas delas é dizer à minha Mãe, minhas avós (onde quer que se encontrem), minha ex-esposa, minha irmã, minhas tias, primas, amigas, enfim, a todas as mulheres que já são, ou serão mães, o quanto às amo e o quanto significam para mim." Meu desejo sincero é que todos ao lerem este post sejam motivados de maneira parecida.
Com isto deixo aqui minha homenagem às mães de todos os lugares, onde quer que se encontrem, seja aqui em nosso plano ou no Oriente Eterno...